sábado, 13 de fevereiro de 2016

A Deformação do Cine-Vamp


Sinceramente, é de se estranhar... antigamente assistíamos vampiros malignos, solitários, com sede incontrolável por sangue. Sua condição era sofrível e tinha uma certa poesia refletida na escuridão oposta à luz, representada pelo sol (embora nem sempre tenha sido assim).  Considero a grande base de um personagem vampiro a maldade, a solidão e a sede incontrolável por sangue. Agora, diante da distorção de um monstro de natureza maligna, temos príncipes darks, “modelos” e com valores morais. A criação dos vampiros cruéis, assassinos, traíras, frios, atormentados pelo seu modo de vida...se perdeu com o tempo?

Talvez o exemplo mais famoso nessa área, que é a união de tudo isso: Crepúsculo. Começamos com a imagem de que todo personagem vamp é romântico e galã, depois, já que a lenda se tornou moda e adolescente demais, o filme é mostrado em um ambiente totalmente juvenil, onde o instinto mau do personagem é esquecido por completo, mais ou menos como uma série da Disney Chanell, e não pára por aí (infelizmente), o tal vampiro que nem ao menos mostra as presas, brilha no sol e faz o tipo "não me toque" para a garotinha nova da cidade e do colégio, e se alimenta de sangue animal.

                  Cena de "O que Fazemos nas Sombras", que faz uma paródia com a modernização vamp

 Mudanças são sempre bem vindas, acrescentam muito aos personagens lendários, principalmente quando uma característica diferente vem para refletir sobre dogmas religiosos e padrões comportamentais de épocas atrás. Porém, quando as coisas se transformam em estereótipos, tudo desanda e se perde a "essência”. Embora os vampiros seja algo do imaginário humano, a criatividade dos autores e roteiristas deve saber colocar limites e não transformá-los para algo que eles possam manipular e o dinheiro aparecer mais fácil.

*Texto (editado) criado e postado no dia 11 de Novembro de 2011, no antigo blog Alcateia Virtual com o título “O que está havendo com os vamps?”.