quinta-feira, 29 de outubro de 2015

George Orwell



O escritor inglês George Orwell é conhecido acima de tudo por dois livros: 1984, publicado em 1949, e A Revolução dos Bichos, publicado em 1945. Ambos se caracterizam por diversos traços em comuns: principalmente porque constituem um ataque ao totalitarismo. As obras são também, fruto da própria experiência do autor. Ainda jovem, George Orwell foi servir nas forças imperiais na Birmânia, então colônia da Inglaterra. Depois de cinco anos (1922-1927) voltou à Europa horrorizado com os métodos brutais do colonialismo inglês. Resolveu dedicar-se à luta contra esse tipo de opressão. Renunciou à sua origem burguesa, a fortuna, a um passado que considerava vergonhoso e ao seu próprio nome (Eric Arthur Blair), adotando o de George Orwell.





Quanto à origem, seu pai era alto funcionário do governo britânico em Bengala (Índia), onde ele nasceu em 1903. Da educação aristocrática, recebida no tradicional Colégio de Eton, George Orwell passa ao repúdio de todo intelectualismo e a combater o artificialismo dos intelectuais da época. Ao romper com o passado e com o nome de sua família, procura intensificar o contato e mesmo a sua identificação com as classes trabalhadoras. Voltando do Oriente, George Orwell fixa-se em Paris, e depois vai para Londres, onde ganha o sustento lecionando numa escola primária. É nesse ambiente que escreve os primeiros romances, ao mesmo tempo que ataca os escritores de sua época por assumirem posições revolucionárias, na teoria, e na prática levarem uma vida burguesa. Em The Road to Wigan Pier (1937), descreve as condições de extrema miséria dos trabalhadores do norte da Inglaterra, em meio aos quais viveu por algum tempo. Já reconhecido como grande escritor, Orwell assume posições mais  radicais em favor das classes pobres.



     Adaptação em animação de "A Revolução dos Bichos". Apesar de algumas diferenças, considero o final mais impactante que o  livro.


Na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) combateram conhecidos intelectuais do mundo inteiro, entre eles Abdré Malraux e Ernest Hemingway. George Orwell alistou-se também, e, em 1937, estava na Catalunha, lutando no POUM (Partido Operário de Unificação Marxista), ao lado dos anarquistas socialistas e nas Brigadas Internacionais dos comunistas ortodoxos, como fazia a maioria dos voluntários. Ferido no mesmo ano, volta à Inglaterra e escreve Homenagem à Catalunha, onde deixa transparecer sua amargura e desgosto diante da miséria e sofrimento por ele testemunhados. Ao mesmo tempo, decepcionado com a rígida estrutura dos Partidos Comunistas fiéis à alinha soviética, volta-se para um tipo de socialismo independente e, sobretudo, ao apoio incondicional às massas trabalhadoras. Assim, se a Guerra Civil Espanhola fez de Orwell um socialista revolucionário, fez dele também um anti-stalinista convicto. E é em A Revolução dos Bichos que retrata com grande habilidade o que considerava o totalitarismo do regime soviético, que, segundo ele, traiu a revolução de 1917. Na realidade, não é o socialismo em si, mas o totalitarismo (e todos os totalitarismos) que os ataques de Orwell pretendem atingir. Isto fica claro mais evidente ainda no seu romance posterior, 1984, que constitui uma condenação global de um universo totalitário, feito de mentiras, traições e terror. 

Escritor de uma sinceridade incontestável, George Orwell testemunhou ou viveu pessoalmente tudo o que retratou em seus livros. Além, de viver como operário, ensinou em diversas escolas e chegou a criar galinhas e plantar legumes, enquanto escrevia nos momentos livres. De saúde extremamente fraca, em grande parte devido à vida atribuída a que se submeteu, George Orwell morreu em Londres, em 1950, com 47 anos. É apontado como um dos mais importantes escritores ingleses do século XX. Crítico violento do totalitarismo de todos os tipos, da exploração das massas trabalhadoras, do imperialismo e do colonialismo, pretendeu manter-se sobretudo um espírito independente e profundamente ligado à realidade vivida, no que foi coerente até a morte.

 

Fonte: A Revolução dos Bichos
 

Editora: Círculo do Livro S.A.




sábado, 17 de outubro de 2015

Golpe Duplo (2015)



Título Original: Focus

Gênero: Crime, Romance e Drama

Roteiro e Direção: Glenn Ficarra e John Requa

Sinopse: "Nicky (Will Smith), um experiente mestre trapaceiro que se envolve romanticamente com a golpista novata Jess (Margot Robbie). Enquanto ele ensina a ela os truques do negócio, Jess acaba se aproximando demais e ele  decide terminar a relação. Três anos mais tarde, Jess - agora uma talentosa femme fatale - aparece em Buenos Aires no meio das altas apostas de um circuito de corrida de carros. Ela promove uma reviravolta em seus planos, deixando o vigarista fora de seu jogo." 



Will Smith não é apenas um ''ator de filme de ação'', é difícil vê-lo em um papel que não se encaixe. Fez de bons a ótimos filmes e personagens,  desde o drama até comédias. Mas quando errou, caiu feio! Rodrigo Santoro no meio Hollywoodiano pode ser mais conhecido pelo blockbuster 300 ao encarnar Xerxes, voltando a aparecer na fraca continuação 300: A Ascensão do Império. Porém, foi no brasileiro Bicho de Sete Cabeças que eu vi a melhor atuação dele. Quanto a Margot Robbie, confesso desconhecer seus trabalhos.

Aqui, os três aparecem em uma trama que de início é manjada: A velha história de vigaristas e aprendizes se dando bem e até querendo passar a perna nos próprios membros, tudo em nome do dinheiro e até, quem diria, honra. Outro filme que tem bastante potencial, com atuações que chamam atenção, é Trapaças, onde envolve tanto que nem acreditei que chegaria a um final tão bobo. Não que seja decepcionante, apenas simples diante do apresentado. Golpe Duplo fez exatamente o contrário comigo: o começo é entediante, mas ao chegar na metade, fui fisgado. Assim como O Juiz, soube usar as situações e apresentar no momento certo. Sim, tem aqueles personagens previsíveis, mas compensa quando estão diante de algumas cenas explicando detalhes dos golpes e atraindo o viciante círculo de mentiras. Não existe uma reviravolta extraordinária, mas tem desfechos interessantes e quando você acha que já previu tudo, não chegou nem perto. Só achei as atuações dos protagonistas medianas, principalmente a de Rodrigo Santoro, que não convence na tensão final. Muito longe de ser ótimo, serve para aqueles dias que você quer se entreter com aquele famoso estilo saturado, mas tem boas chances de acabar agradando.

Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo