quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Edgar Allan Poe


“Nascido em Boston (19 de Janeiro de 1809), teve sua infância marcada pela insegurança e amargura. Os pais (um casal de atores fracassados) morreram tuberculosos em 1811, com poucas semanas de intervalo. Seu irmão era tuberculoso também; a irmã, epiléptica. Após a morte da mãe, foi adotado por John Allan, um rico comerciante de Richmond, casado e sem filhos. De 1815 a 1820, o casal viajou com o garoto pela Escócia e Inglaterra. Durante quatro anos, Poe ficou interno num colégio próximo a Londres. Quando retornou a Richmond , o menino somava à sua bagagem uma educação clássica e grande habilidade na prática de vários esportes como a equitação, o boxe, a esgrima e a natação. Em sua memória viajavam as marcas da monótona paisagem londrina (com velhos castelos e casarões e as inevitáveis impressões de horror que elas lhe proporcionavam).

Em 1826, passou a frequentar a Universidade de Virgínia, onde estudou grego, latim, francês, espanhol e italiano. Entretanto, como desperdiçava seu dinheiro no jogo, seu tutor obrigou-o a deixar os estudos. Em Richmond, uma surpresa o esperava: sua namorada Elmira Royster estava noiva de outro. A desilusão amorosa levou-o para Boston, onde publicou um panfleto de poemas byronianos: Tarmelane and Other Poems (Tarmelão e Outros Poemas). Em Maio de mesmo ano, com a situação econômica precária, viu-se obrigado a alistar-se no Exército, com o nome de Edgar Allan Perry. A experiência foi proveitosa, pelo menos no sentido literário.

Em 1829 publicou um novo volume de poesias: Al Aaraaf, Tarmelane and Minor e Poems (Al Aaaraaf, Tarmelão e Poemas Menores). Mas, em Abril desse ano, foi localizado pelo tutor que o enviou para estudar em West Point. Em 1831, expulso da academia por ter faltado às aulas por mais de uma semana, passou a dedicar-se intensamente à literatura, numa vida nômade e inconstante. Decidido partir para Nova York, que desde o início do século XIX havia transformado no maior centro literário norte-americano.

Em 1831, publicou Poems (poemas), com várias obras onde apareciam as influências de Keats, Shelley e Coleridge. Em 1833, com Manuscrit Found in a Botle (Manuscrito Encontrado em uma garrafa), ganhou um prêmio de 50 dólares oferecido por um editor do Southern Literary Messenger, e tornou-se redator e crítico da publicação. Mas, como abusava da bebida, acabou sendo demitido. Nessa época casou-se com sua prima Virginia Clemm, de apenas treze anos de idade. Em 1938, Publicou The Narrative of Arthur Gordon Pym (A Narrativa de Arthur Gordon Pym), obra considerada como inspiradora do clássico Moby Dick, de Herman Melville. No ano seguinte, foi viver em Filadélfia, onde passou a editar a Burton´s Gentleman Magazine. Um contrato que o obrigava a determinada produção mensal estimulou-o a escrever William Wilson e The Fall of The House of Usher (A Queda da Casa de Usher), além de um novo volume de contos: Tales of Grotesque and Arabesque (Contos do Grotesco e do Arabesco).

Em 1840, demitiu-se da Burton´s. Mas no ano seguinte foi convidado a editar sua sucessora: A Graham´s Magazine, na qual publicou sua primeira obra detetivesca: The Muders in the Rue Morgue (Os crimes da Rua Morgue). Em 1943, o conto policial The Gold Bug (O Escaravelho de Ouro), publicado no jornal de Filadélfia, Deu-lhe dinheiro (um prêmio de 100 dólares), prestígio e publicidade. Em 1844, voltou para Nova York e escreveu Baloon Hoax (A Balela do Balão). Logo depois, tornou-se subeditor do Evening Mirror, onde publicaria seu poema The Raven (O Corvo). Isso significou mais prestígio e um novo emprego: Editor da Broadway Journal, um seminário de curta duração, onde publicou vários contos.

Em Janeiro de 1847, Vírginia morreu tuberculosa. Dois anos depois, Já com a saúde bastante abalada, em razão da bebida, Poe viajou para Richmond, onde ficou noivo de Elmira Royst, sua namorada da adolescência, que estava viúva. No fim de Setembro foi para Baltimore. Em um dia qualquer, encontrado inconsciente na rua, após uma bebedeira, foi levado para um hospital. Mas era tarde. No Dia 7 de Outubro de 1847, foi enterrado no cemitério presbiteriano de Westminster, em Baltimore.

A Base literária de toda obra em prosa de Poe apóia-se principalmente nas anomalias da natureza humana, levando ao leitor à evasão da realidade cotidiana: alucinações convincentes cuja lógica supera a do mundo normal; mentes inquietas e febris em corpos minados e convalescentes; percepções tão sensíveis que chegam a captar os sons e os mistérios que cercam o homem e o universo; personagens neuróticos, isolados do mundo e devotados a seus devaneios e fantasias; o duplo de cada homem; a histeria acima da vontade; a contradição sobre a lógica; etc. Poe criou regras próprias para seus contos: às unidades de tempo, lugar e ação, acrescentou a de efeito, aumentando o impacto sobre o leitor. A impressão de realismo dentro do irreal é acentuada pela utilização constante do eu (em sua maior parte, os contos são narrativos ou manuscritos dos personagens). Os cenários são brumosos, repletos de elementos que sugerem a morte e fatalidade. Os personagens, por outro lado, são extensões do próprio escritor: homens de nervos tensos, imaginação excitada, olhar agudo e implacável, e mulheres mórbidas, pálidas, doentes e de males estranhos. Embora seus poemas fossem tecnicamente perfeitos, compostos de ritmos harmoniosos e trabalhados, sua produção lírica foi reduzida. As poesias inspiradas nas mulheres são as melhores: To Helen (Para Helen), Annabel Lee (Eulália), To One in Paradise (À minha Mãe). E poesias como Lenore (Lenora), For Annie (Para Annie), Ulalume e a famosa The Raven (O Corvo). Além de criador da ficção-científica e do romance policial, Poe elevou os contos de terror à categoria literária.

    
 A Influência para outros Autores:


  A maioria dos grandes autores sofreram sua influência. Sua poesia, por exemplo, encontrou eco nos simbolistas Baudelaire, Mallarmé, Verlaine, Rimbaud, Valéry e até mesmo na técnica musical de Ravel, segundo confessou o próprio compositor. Os maiores contistas Franceses, como Gautier, merimée e Maupassant, também seguiram suas idéias. Na Inglaterra foi reconhecido como mestre por Swinburne e Oscar Wild; o Sherlock Holmes de Conan Doyle (1859-1930) foi calcado sobre Dupin de Poe; H. G. Wells segue Poe nos romances de ficção-científica. Na Bélgica, encontrou Rodenbach (1855-1898) e Materlink. Na América espanhola, marcou principalmente a poesia e a literatura fantástica. Ruben Dario, Amado Nervo, Julio Herrera (1875-1910), Leopoldo Lugones (1874-1938) adotaram algo de sua técnica lírica. Como pioneiro da literatura fantástica, influenciou Borges e Arreola (1918), além de Kafka, na Europa. No Brasil, sua influência pode ser detectada na obra do poeta Augusto dos Anjos. Considerado outro ‘maldito’ da literatura mundial e maior responsável pela divulgação da obra de Poe (com o qual se identificava), Charles Baudelaire dedicou-se durante alguns anos ao preparo e tradução dos contos de seu ‘irmão de alma’. Em uma carta enviada ao crítico de arte Théophile Thoré, Baudelaire explica: Sabe por que tão pacientemente traduzi Poe? Porque ele se parece comigo. A primeira vez que abri um livro seu, vi, com terror e fascinação, não apenas temas sonhados por mim, mas frases pensadas por mim, vinte anos antes.”


Fonte: Histórias Extraordinárias
Editora: Martin Claret