quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Calvin e Haroldo


"Calvin and Hobbes (Calvin & Hobbes em Portugal, Calvin e Haroldo no Brasil) é uma série de tiras criada, escrita e ilustrada pelo autor norte-americano Bill Watterson e publicada em mais de 2000 jornais do mundo inteiro entre 18 de novembro de 1985 e 31 de dezembro de 1995 , tendo ganho em 1986 e 1988 o Reuben Award, da Associação Nacional de Cartunistas dos Estados Unidos.

Calvin é um garoto de seis anos de idade cheio de personalidade, que tem como companheiro Hobbes, um tigre sábio e sardônico, que para ele está tão vivo como um amigo verdadeiro, mas para os outros não é mais que um tigre de pelúcia. De acordo com algumas visões, as fantasias mirabolantes de Calvin constituem frequentemente uma fuga à cruel realidade do mundo moderno para a personagem e uma oportunidade de explorar a natureza humana para Bill Watterson.

Ao fim de dez anos de publicação, os fãs consideram Calvin & Hobbes uma obra prima pela sua visão única do mundo, pela imaginação do protagonista e pelas situações insólitas que se estabelecem." [Wikipédia]

A inspiração dos nomes de Calvin e Hobbes

História 

Merchandising 

Álbuns e Coletâneas 











segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Rede de Intrigas (1976)



Título Original: Network

Gênero: Drama

Roteiro: Paddy Chayefsky

Direção: Sidney Lumet

Sinopse:"Quando o veterano âncora de jornalismo Howard Beale é demitido, ele sofre um violento colapso nervoso diante das câmeras. Mas, depois que os seus enfraquecidos números de audiência sobem por causa das suas críticas ferozes, ele é readmitido e reinventado como O Profeta Louco"



 Assim como O Abutre nos apresenta ao submundo do telejornalismo criminal, e o pouco conhecido Deus Salve a América usa de violência para criticar a sociedade e a futilidade dos reality-shows, Rede de Intrigas faz o mesmo, mas voltado à busca pela audiência. Um assunto que para alguns pode ser cansativo, mas é assustadoramente atual.

Mesmo sendo um filme feito nos anos 70, ainda ficamos impressionados diante da cegueira pelo poder, à procura da polêmica certa, ideologias compradas, e até o ato robótico do público, como mostrado na cena em que Beale (Peter Finch) pede para que os telespectadores saiam gritando em suas janelas: “Estou muito bravo, e não vou suportar mais isso”. São esses ataques de fúria em que também assistimos vários momentos impactantes do filme. Além de transformarem Howard Beale em uma caricatura comercial, possui verdades inconvenientes em seus discursos. Em Frank Hackett e Diana Christensen, interpretados por Robert Duvall e Faye Dunaway, enxergamos a ganância, obsessão e a consequência da Geração TV, em que Max Schumacher (William Holden) tanto evidencia no enredo. Nem se eu quisesse, daria para colocar um ou dois diálogos como exemplos do bom conteúdo, pois Rede de Intrigas vai mais além, e seria injusto diante da genialidade das outras cenas, junto com boas interpretações.  E o que fica, além dessa memorável reflexão, é saber que mesmo com todo avanço tecnológico e suas consequências negativas,  também estamos vivendo a Geração TV.

Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

domingo, 1 de novembro de 2015

O Hobbit (1977)


Título Original: The Hobbit

Diretor: Jules Bass e Arthur Rankin Jr.

Roteiro: Romeo Muller, J.R.R. Tolkien (livro)  

Sinopse: “A trajetória de Bilbo Bolseiro, que enfrenta uma jornada épica para retomar o Reino de Erebor, terra dos anões que foi conquistada há muito tempo pelo dragão Smaug. Levado à empreitada pelo mago Gandalf, o Cinza, Bilbo encontra-se junto a um grupo de 13 anões liderados pelo lendário guerreiro Thorin Escudo-de-Carvalho.”



 Na arte animada, relacionada às adaptações das obras de J. R.R Tolkien, só tinha conhecimento a pouco tempo de O Senhor dos Anéis nas mãos de Ralph Bakshi, que também ficou conhecido pelos seus outros trabalhos para adultos: Fritz-The Cat (baseado no personagem de Robert Crumb) e O Mundo Proibido. Algum tempo atrás, por acaso, descobri um trailer em desenho animado de O Hobbit distribuído pela Warner Bros.

Nessa versão de 1977, evidentemente, temos uma experiência contrária à trilogia dirigida por Peter Jackson. Apesar de aparentemente ser uma produção amena, feita nos anos 70 para a TV, não imaginava que se distanciasse tanto dos filmes; daí percebe-se que mesmo Hollywood dividindo a história em três partes (e criando uma coisa ou outra), os famosos filmes se mostram superiores em várias características. Claro, é preciso relevar e não analisar rigorosamente um desenho animado antigo visando o público infanto-juvenil. Mas infelizmente tudo é mostrado de uma forma limitada, principalmente nos diálogos. Da mesma maneira segue a apresentação dos personagens, sem tanto carisma, em um resumo de uma hora e vinte e sete minutos. Entretanto, achei os traços até certo ponto, interessantes.  Há um capricho no detalhe das mãos, a entrelaçada barba de Gandalf ,no dragão Smaug e nas ambientações da floresta...visto a época que foi feito.  Já os rostos são muito caricatos, o que era de se esperar dos anões e até do Bilbo Bolseiro, junto com grandes olhos. Os elfos também se diferenciam um pouco da aparência humana.  Já os trolls e os orcs possuem uma estética mais monstruosa (como deve ser), assim como Sméagol/Gollum tem uma forma decadente.  Mesmo com tantas diferenças, O Hobbit dos anos 70 serve apenas como um passatempo, onde não vale a pena colocar tantas expetativas.  Além desses títulos antigos, ainda existe uma adaptação, também em desenho animado, de O Retorno do Rei no início dos anos 80.

Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

George Orwell



O escritor inglês George Orwell é conhecido acima de tudo por dois livros: 1984, publicado em 1949, e A Revolução dos Bichos, publicado em 1945. Ambos se caracterizam por diversos traços em comuns: principalmente porque constituem um ataque ao totalitarismo. As obras são também, fruto da própria experiência do autor. Ainda jovem, George Orwell foi servir nas forças imperiais na Birmânia, então colônia da Inglaterra. Depois de cinco anos (1922-1927) voltou à Europa horrorizado com os métodos brutais do colonialismo inglês. Resolveu dedicar-se à luta contra esse tipo de opressão. Renunciou à sua origem burguesa, a fortuna, a um passado que considerava vergonhoso e ao seu próprio nome (Eric Arthur Blair), adotando o de George Orwell.





Quanto à origem, seu pai era alto funcionário do governo britânico em Bengala (Índia), onde ele nasceu em 1903. Da educação aristocrática, recebida no tradicional Colégio de Eton, George Orwell passa ao repúdio de todo intelectualismo e a combater o artificialismo dos intelectuais da época. Ao romper com o passado e com o nome de sua família, procura intensificar o contato e mesmo a sua identificação com as classes trabalhadoras. Voltando do Oriente, George Orwell fixa-se em Paris, e depois vai para Londres, onde ganha o sustento lecionando numa escola primária. É nesse ambiente que escreve os primeiros romances, ao mesmo tempo que ataca os escritores de sua época por assumirem posições revolucionárias, na teoria, e na prática levarem uma vida burguesa. Em The Road to Wigan Pier (1937), descreve as condições de extrema miséria dos trabalhadores do norte da Inglaterra, em meio aos quais viveu por algum tempo. Já reconhecido como grande escritor, Orwell assume posições mais  radicais em favor das classes pobres.



     Adaptação em animação de "A Revolução dos Bichos". Apesar de algumas diferenças, considero o final mais impactante que o  livro.


Na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) combateram conhecidos intelectuais do mundo inteiro, entre eles Abdré Malraux e Ernest Hemingway. George Orwell alistou-se também, e, em 1937, estava na Catalunha, lutando no POUM (Partido Operário de Unificação Marxista), ao lado dos anarquistas socialistas e nas Brigadas Internacionais dos comunistas ortodoxos, como fazia a maioria dos voluntários. Ferido no mesmo ano, volta à Inglaterra e escreve Homenagem à Catalunha, onde deixa transparecer sua amargura e desgosto diante da miséria e sofrimento por ele testemunhados. Ao mesmo tempo, decepcionado com a rígida estrutura dos Partidos Comunistas fiéis à alinha soviética, volta-se para um tipo de socialismo independente e, sobretudo, ao apoio incondicional às massas trabalhadoras. Assim, se a Guerra Civil Espanhola fez de Orwell um socialista revolucionário, fez dele também um anti-stalinista convicto. E é em A Revolução dos Bichos que retrata com grande habilidade o que considerava o totalitarismo do regime soviético, que, segundo ele, traiu a revolução de 1917. Na realidade, não é o socialismo em si, mas o totalitarismo (e todos os totalitarismos) que os ataques de Orwell pretendem atingir. Isto fica claro mais evidente ainda no seu romance posterior, 1984, que constitui uma condenação global de um universo totalitário, feito de mentiras, traições e terror. 

Escritor de uma sinceridade incontestável, George Orwell testemunhou ou viveu pessoalmente tudo o que retratou em seus livros. Além, de viver como operário, ensinou em diversas escolas e chegou a criar galinhas e plantar legumes, enquanto escrevia nos momentos livres. De saúde extremamente fraca, em grande parte devido à vida atribuída a que se submeteu, George Orwell morreu em Londres, em 1950, com 47 anos. É apontado como um dos mais importantes escritores ingleses do século XX. Crítico violento do totalitarismo de todos os tipos, da exploração das massas trabalhadoras, do imperialismo e do colonialismo, pretendeu manter-se sobretudo um espírito independente e profundamente ligado à realidade vivida, no que foi coerente até a morte.

 

Fonte: A Revolução dos Bichos
 

Editora: Círculo do Livro S.A.




sábado, 17 de outubro de 2015

Golpe Duplo (2015)



Título Original: Focus

Gênero: Crime, Romance e Drama

Roteiro e Direção: Glenn Ficarra e John Requa

Sinopse: "Nicky (Will Smith), um experiente mestre trapaceiro que se envolve romanticamente com a golpista novata Jess (Margot Robbie). Enquanto ele ensina a ela os truques do negócio, Jess acaba se aproximando demais e ele  decide terminar a relação. Três anos mais tarde, Jess - agora uma talentosa femme fatale - aparece em Buenos Aires no meio das altas apostas de um circuito de corrida de carros. Ela promove uma reviravolta em seus planos, deixando o vigarista fora de seu jogo." 



Will Smith não é apenas um ''ator de filme de ação'', é difícil vê-lo em um papel que não se encaixe. Fez de bons a ótimos filmes e personagens,  desde o drama até comédias. Mas quando errou, caiu feio! Rodrigo Santoro no meio Hollywoodiano pode ser mais conhecido pelo blockbuster 300 ao encarnar Xerxes, voltando a aparecer na fraca continuação 300: A Ascensão do Império. Porém, foi no brasileiro Bicho de Sete Cabeças que eu vi a melhor atuação dele. Quanto a Margot Robbie, confesso desconhecer seus trabalhos.

Aqui, os três aparecem em uma trama que de início é manjada: A velha história de vigaristas e aprendizes se dando bem e até querendo passar a perna nos próprios membros, tudo em nome do dinheiro e até, quem diria, honra. Outro filme que tem bastante potencial, com atuações que chamam atenção, é Trapaças, onde envolve tanto que nem acreditei que chegaria a um final tão bobo. Não que seja decepcionante, apenas simples diante do apresentado. Golpe Duplo fez exatamente o contrário comigo: o começo é entediante, mas ao chegar na metade, fui fisgado. Assim como O Juiz, soube usar as situações e apresentar no momento certo. Sim, tem aqueles personagens previsíveis, mas compensa quando estão diante de algumas cenas explicando detalhes dos golpes e atraindo o viciante círculo de mentiras. Não existe uma reviravolta extraordinária, mas tem desfechos interessantes e quando você acha que já previu tudo, não chegou nem perto. Só achei as atuações dos protagonistas medianas, principalmente a de Rodrigo Santoro, que não convence na tensão final. Muito longe de ser ótimo, serve para aqueles dias que você quer se entreter com aquele famoso estilo saturado, mas tem boas chances de acabar agradando.

Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

domingo, 20 de setembro de 2015

Frances Ha (2012)




Título Original: Frances Ha

Gênero: Comédia e Drama

Direção: Noah Baumbach

Roteiro: Noah Baumbach e  Greta Gerwig

Sinopse: "Frances mora em Nova York, mas na verdade ela não tem um apartamento. Frances é aluna numa companhia de dança, mas não é de fato uma bailarina. Frances tem uma melhor amiga chamada Sophie, mas na verdade elas não estão se falando mais. Frances se joga de cabeça em seus sonhos, mesmo que a possibilidade de realização seja pequena. Frances deseja muito mais do que tem, mas ela leva sua vida com leveza e uma alegria inexplicável."

Trailer


Ao assistir o trailer de Frances Ha, ficou claro pra mim que não se trata de uma obra voltada para o público "pop". Até aí, sem problemas. Gosto de explorar filmes que saem da normalidade e apresentam uma boa história. No meu caso, infelizmente, não foi dessa vez.

 Frances Ha foi feito em preto e branco, talvez para remeter uma época nostálgica. De fato, é possível entrar em um clima anos 80, principalmente na cena em que Frances dança na rua espontaneamente, ao som de Modern Love-David Bowie. Entretanto, o enredo se torna monótono, não porque precisa ser parado, e muito menos porque reflete a rotina da personagem... E sim porque os acontecimentos não são apresentados de uma maneira atraente. A protagonista vivida por Greta Gerwig é carismática e tem mesmo uma alegria inexplicável, e isso está presente em seu comportamento impulsivo... Porém, faltou um certo limite e acabou ficando muito infantil, o que tornou as cenas forçadas no lugar de me passar naturalidade. O humor aparece uma vez ou outra (longe de ser tão engraçado) e os momentos difíceis de amizade e dificuldades são até interessantes, mas não salva o filme, apenas o torna assistível. Esperei ver uma obra com personagens tão cativantes como Nebraska, que me passasse uma forte reflexão como Whiplash e até apresentasse um cotidiano envolvente como Boyhood...e fiquei só na espera mesmo. Apesar de achar "mais ou menos", ainda recomendo para quem gosta de filmes cults. É aquele tipo de título que divide facilmente opiniões.

Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Chappie (2015)


Título Original: Chappie

Gênero: Ação, Crime e Ficção Científica

Diretor: Neill Blomkamp

Roteiro: Neill Blomkamp e  Terri Tatchell

Sinopse: "Em um futuro próximo, uma opressiva força policial mecanizada é encarregada de patrulhar as ruas e controlar o crime em Joanesburgo, África do Sul. Um dos androides da força policial é roubado e reprogramado com o intuito de ser utilizado como arma pelos criminosos. Ao ser reprogramado, o androide se torna Chappie, o primeiro robô com capacidade de pensar e sentir por si mesmo."

Trailer 




 Quando falamos de blockbuster, facilmente associamos aquele filme cheio de efeitos visuais, ação e nem sempre acompanhado de uma boa história. É bom saber que existe exceções, e um dos diretores que trazem às telas, não só explosões e lutas, mas uma boa reflexão, é Neill Blomkamp do ótimo Distrito 9.

 Em Chappie, parece que Blomkamp acaba tropeçando em alguns erros. Talvez um dos pequenos defeitos seja carregar algumas características do oitentista Um Robô em Curto Circuito e aquela velha visão do futuro com máquinas no poder. "Mas do mesmo"...alguns podem pensar. O filme consegue desviar para um enredo interessante, se o telespectador não for tão radical ao assistir. Ainda encontramos uma crítica social forte na humanização do carismático protagonista mecanizado e tudo que o cerca. É impressionante que, mesmo se tratando de um robô, a movimentação e as situações conseguem cativar sem muito exagero, e logo esquecemos do androide e conseguimos enxergar quase um ser humano ali, tendo que lidar com a forte influência do ambiente que vive e do ponto de vista referente ao certo e errado das pessoas que o adotam. Esse é o grande mérito do roteiro, que não cai apenas em cenas de ação para agradar um grande público. Mesmo nos deparando com algumas sequências irritantes e outras até engraçadas, consegue ter um resultado satisfatório.

Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Festa no Céu (2014)


Título Original: The book of life

Gênero: Animação, Aventura e Comédia

Diretor:  Jorge R. Gutiérrez

Roteiro: Jorge R. Gutiérrez e Douglas Langdale

Sinopse: "O jovem Manolo tem dúvidas entre cumprir as expectativas impostas por sua família de toureiros ou seguir a vontade de seu coração - que leva à música. Tentando se decidir, ele embarca em uma viagem por três diferentes mundos: o dos Vivos, o dos Esquecidos e o dos Eternizados. Ele encontra figuras marcantes e conta com o apoio do amigo Joaquin e da amada Maria."



Do contrário de animações como Megamente-DreamWorks e Carros-Pixar, em que encontramos um protagonista com valores errados e que no decorrer da história, consegue aprender o certo e mudar seu destino, em Festa no Céu, não é bem assim que acontece. Já fica claro no início, que Manolo será o personagem querido e que vai acabar conquistando o coração da mocinha Maria e seu amigo Joaquin representa o oposto, sendo usado como mal exemplo e passar mensagens positivas para os pequenos. Desse jeito, tudo fica muito previsível, até mesmo para as crianças.

Uma curiosidade pessoal: Xibalba me lembrou Jafar (Aladdin-Disney), principalmente na cena em que "se disfarça" de velhinho para iludir Joaquin, é possível também recordar um pouco a personalidade de Hades (Hércules-Disney). O design dos personagens, que apesar de terem aspectos cartunizados, tem um estilo muito exagerado. Porém, esses pequenos defeitos nos traços são compensados pela bela ambientação colorida relacionada ao Dia dos Mortos. Além do tema, a originalidade se encontra também na passagem da história para representação de bonecos...e para por aqui, infelizmente. As canções tem letras estranhas e parece não combinar muito, com exceção da cena do gigantesco touro. Festa no Céu marca bem mais pela experiência visual. O nome de Guillermo Del Toro foi muito citado para falar da produção, com todo merecimento, mas não considero um dos melhores desenho animados que já trabalhou. Seguindo esse estilo, voltado para o meio infantil, vale a pena conferir A Origem dos Guardiões, onde também produziu.
 
Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Edgar Allan Poe


“Nascido em Boston (19 de Janeiro de 1809), teve sua infância marcada pela insegurança e amargura. Os pais (um casal de atores fracassados) morreram tuberculosos em 1811, com poucas semanas de intervalo. Seu irmão era tuberculoso também; a irmã, epiléptica. Após a morte da mãe, foi adotado por John Allan, um rico comerciante de Richmond, casado e sem filhos. De 1815 a 1820, o casal viajou com o garoto pela Escócia e Inglaterra. Durante quatro anos, Poe ficou interno num colégio próximo a Londres. Quando retornou a Richmond , o menino somava à sua bagagem uma educação clássica e grande habilidade na prática de vários esportes como a equitação, o boxe, a esgrima e a natação. Em sua memória viajavam as marcas da monótona paisagem londrina (com velhos castelos e casarões e as inevitáveis impressões de horror que elas lhe proporcionavam).

Em 1826, passou a frequentar a Universidade de Virgínia, onde estudou grego, latim, francês, espanhol e italiano. Entretanto, como desperdiçava seu dinheiro no jogo, seu tutor obrigou-o a deixar os estudos. Em Richmond, uma surpresa o esperava: sua namorada Elmira Royster estava noiva de outro. A desilusão amorosa levou-o para Boston, onde publicou um panfleto de poemas byronianos: Tarmelane and Other Poems (Tarmelão e Outros Poemas). Em Maio de mesmo ano, com a situação econômica precária, viu-se obrigado a alistar-se no Exército, com o nome de Edgar Allan Perry. A experiência foi proveitosa, pelo menos no sentido literário.

Em 1829 publicou um novo volume de poesias: Al Aaraaf, Tarmelane and Minor e Poems (Al Aaaraaf, Tarmelão e Poemas Menores). Mas, em Abril desse ano, foi localizado pelo tutor que o enviou para estudar em West Point. Em 1831, expulso da academia por ter faltado às aulas por mais de uma semana, passou a dedicar-se intensamente à literatura, numa vida nômade e inconstante. Decidido partir para Nova York, que desde o início do século XIX havia transformado no maior centro literário norte-americano.

Em 1831, publicou Poems (poemas), com várias obras onde apareciam as influências de Keats, Shelley e Coleridge. Em 1833, com Manuscrit Found in a Botle (Manuscrito Encontrado em uma garrafa), ganhou um prêmio de 50 dólares oferecido por um editor do Southern Literary Messenger, e tornou-se redator e crítico da publicação. Mas, como abusava da bebida, acabou sendo demitido. Nessa época casou-se com sua prima Virginia Clemm, de apenas treze anos de idade. Em 1938, Publicou The Narrative of Arthur Gordon Pym (A Narrativa de Arthur Gordon Pym), obra considerada como inspiradora do clássico Moby Dick, de Herman Melville. No ano seguinte, foi viver em Filadélfia, onde passou a editar a Burton´s Gentleman Magazine. Um contrato que o obrigava a determinada produção mensal estimulou-o a escrever William Wilson e The Fall of The House of Usher (A Queda da Casa de Usher), além de um novo volume de contos: Tales of Grotesque and Arabesque (Contos do Grotesco e do Arabesco).

Em 1840, demitiu-se da Burton´s. Mas no ano seguinte foi convidado a editar sua sucessora: A Graham´s Magazine, na qual publicou sua primeira obra detetivesca: The Muders in the Rue Morgue (Os crimes da Rua Morgue). Em 1943, o conto policial The Gold Bug (O Escaravelho de Ouro), publicado no jornal de Filadélfia, Deu-lhe dinheiro (um prêmio de 100 dólares), prestígio e publicidade. Em 1844, voltou para Nova York e escreveu Baloon Hoax (A Balela do Balão). Logo depois, tornou-se subeditor do Evening Mirror, onde publicaria seu poema The Raven (O Corvo). Isso significou mais prestígio e um novo emprego: Editor da Broadway Journal, um seminário de curta duração, onde publicou vários contos.

Em Janeiro de 1847, Vírginia morreu tuberculosa. Dois anos depois, Já com a saúde bastante abalada, em razão da bebida, Poe viajou para Richmond, onde ficou noivo de Elmira Royst, sua namorada da adolescência, que estava viúva. No fim de Setembro foi para Baltimore. Em um dia qualquer, encontrado inconsciente na rua, após uma bebedeira, foi levado para um hospital. Mas era tarde. No Dia 7 de Outubro de 1847, foi enterrado no cemitério presbiteriano de Westminster, em Baltimore.

A Base literária de toda obra em prosa de Poe apóia-se principalmente nas anomalias da natureza humana, levando ao leitor à evasão da realidade cotidiana: alucinações convincentes cuja lógica supera a do mundo normal; mentes inquietas e febris em corpos minados e convalescentes; percepções tão sensíveis que chegam a captar os sons e os mistérios que cercam o homem e o universo; personagens neuróticos, isolados do mundo e devotados a seus devaneios e fantasias; o duplo de cada homem; a histeria acima da vontade; a contradição sobre a lógica; etc. Poe criou regras próprias para seus contos: às unidades de tempo, lugar e ação, acrescentou a de efeito, aumentando o impacto sobre o leitor. A impressão de realismo dentro do irreal é acentuada pela utilização constante do eu (em sua maior parte, os contos são narrativos ou manuscritos dos personagens). Os cenários são brumosos, repletos de elementos que sugerem a morte e fatalidade. Os personagens, por outro lado, são extensões do próprio escritor: homens de nervos tensos, imaginação excitada, olhar agudo e implacável, e mulheres mórbidas, pálidas, doentes e de males estranhos. Embora seus poemas fossem tecnicamente perfeitos, compostos de ritmos harmoniosos e trabalhados, sua produção lírica foi reduzida. As poesias inspiradas nas mulheres são as melhores: To Helen (Para Helen), Annabel Lee (Eulália), To One in Paradise (À minha Mãe). E poesias como Lenore (Lenora), For Annie (Para Annie), Ulalume e a famosa The Raven (O Corvo). Além de criador da ficção-científica e do romance policial, Poe elevou os contos de terror à categoria literária.

    
 A Influência para outros Autores:


  A maioria dos grandes autores sofreram sua influência. Sua poesia, por exemplo, encontrou eco nos simbolistas Baudelaire, Mallarmé, Verlaine, Rimbaud, Valéry e até mesmo na técnica musical de Ravel, segundo confessou o próprio compositor. Os maiores contistas Franceses, como Gautier, merimée e Maupassant, também seguiram suas idéias. Na Inglaterra foi reconhecido como mestre por Swinburne e Oscar Wild; o Sherlock Holmes de Conan Doyle (1859-1930) foi calcado sobre Dupin de Poe; H. G. Wells segue Poe nos romances de ficção-científica. Na Bélgica, encontrou Rodenbach (1855-1898) e Materlink. Na América espanhola, marcou principalmente a poesia e a literatura fantástica. Ruben Dario, Amado Nervo, Julio Herrera (1875-1910), Leopoldo Lugones (1874-1938) adotaram algo de sua técnica lírica. Como pioneiro da literatura fantástica, influenciou Borges e Arreola (1918), além de Kafka, na Europa. No Brasil, sua influência pode ser detectada na obra do poeta Augusto dos Anjos. Considerado outro ‘maldito’ da literatura mundial e maior responsável pela divulgação da obra de Poe (com o qual se identificava), Charles Baudelaire dedicou-se durante alguns anos ao preparo e tradução dos contos de seu ‘irmão de alma’. Em uma carta enviada ao crítico de arte Théophile Thoré, Baudelaire explica: Sabe por que tão pacientemente traduzi Poe? Porque ele se parece comigo. A primeira vez que abri um livro seu, vi, com terror e fascinação, não apenas temas sonhados por mim, mas frases pensadas por mim, vinte anos antes.”


Fonte: Histórias Extraordinárias
Editora: Martin Claret


domingo, 9 de agosto de 2015

Introdução de Mary Shelley para Frankenstein


 “Os editores desta coleção de romances, ao escolherem Frankenstein para uma de suas séries, exprimiram o desejo de que eu lhes descrevesse a origem da história. Será um prazer para mim, pois assim darei uma resposta genérica à pergunta que tantas vezes me é dirigida: Como eu, na época uma menina, vim a conceber e a desenvolver uma ideia tão aterradora? É verdade que sou muito avessa a me exibir publicamente por escrito; mas como a minha narrativa só vai aparecer como suplemento a uma produção anterior, e se limitará apenas aos temas que tenham ligação com a minha autoria, não posso acusar-me de intrusão pessoal.

 Não é de admirar que, sendo filha de duas pessoas de distinta celebridade literária, muito cedo na vida eu tenha pensado em escrever. Quando criança, eu escrevinhava; e meu passatempo predileto, nas horas de recreio que me eram concedidas, era ‘escrever histórias’. Tinha, porém, um prazer maior do que aquele: a construção de castelos no ar -a disposição para sonhar acordada-, o acompanhamento de sequências de pensamentos que tinham como assunto a sucessão de incidentes imaginários. Os meus sonhos eram ao mesmo tempo mais fantásticos e agradáveis do que os meus textos. Nestes últimos, eu era uma boa imitadora –fazendo mais o que os outros haviam feito, do que registrando as sugestões do meu próprio espírito. O que eu escrevia era dedicado a pelo menos um outro olhar –o de meu companheiro e amigo de infância; eram meu refúgio quando me aborrecia –meu mais querido prazer quando livre. Quando menina, vivi principalmente no interior, e passei um tempo considerável na Escócia. Fiz visitas esporádicas às suas partes mais pinturescas; mas a minha residência habitual era no litoral nu e monótono do Tay, perto de Dundee. Chamo-o retrospectivamente de nu e monótono; pra mim, não era assim na época. Era o ninho de águia da liberdade e a região mais agradável onde podia, ignorada, comungar com as criaturas das minhas fantasias. Eu escrevia na época –mas no mais banal estilo. Foi embaixo das árvores dos jardins pertencentes à minha casa, nas encostas nuas das montanhas sem bosques das proximidades, que as minhas verdadeiras composições, os vôos de águia da minha imaginação, nasceram e se criaram. Não fazia de mim mesma a heroína de minhas histórias. A vida me parecia banal demais, no que se referia a mim. Não conseguia imaginar comigo mesma que aquelas angústias românticas ou aqueles acontecimentos maravilhosos pudessem um dia ser o meu quinhão; não me limitava, porém, a minha própria identidade, e podia povoar as horas com criações muito mais interessantes, pra mim, naquela idade, do que as minhas próprias sensações.

  Depois disso, a minha vida se tornou mais agitada, e a realidade ocupou o lugar da ficção. Meu marido, porém, estava desde o começo muito ansioso para que eu me provasse digna de meus pais e inscrevesse meu nome nas páginas da fama. Estava sempre a me encorajar a obter uma reputação literária, que até mesmo eu desejava na época, embora desde então eu tenha me tornado infinitamente indiferente a ela. Naquela época, ele queria que eu escrevesse, não tanto com a ideia que eu pudesse produzir algo digno de nota, mas para que ele pudesse avaliar quão promissor era o meu talento. Mas eu não fiz nada. As viagens e os trabalhos domésticos ocupavam o meu tempo; e o estudo, sob a forma de leitura ou de esforços por melhorar as minhas ideias na comunicação com a sua mente muito mais culta, era toda a atividade literária que recebia a minha atenção.

 No verão de 1816, visitamos a Suíça e fomos vizinhos de Lorde Byron. No começo, passávamos horas alegres sobre o lago ou passeando pelas margens; e Lorde Byron, que estava escrevendo o terceiro canto de Childe Harold, era o único de nós que registrava seu pensamento por escrito. Estes, conforme nos fazia ler, revestidos de todo o esplendor e harmonia da poesia, pareciam marcar com o selo divino as glórias do céu e da terra, cujas influências compartilhamos com ele.

 Mas aquele foi um verão chuvoso e pouco estimulante, e a chuva incessante muitas vezes nos trancava em casa durante dias. Alguns livros de histórias de fantasmas, traduzidas do alemão para o francês, caíram em nossas mãos. Havia a História do Amante Inconstante, que, quando pensava abraçar a noiva a quem tinha erguido um brinde, se viu nos braços do lívido fantasma daquela que abandonara. Havia a história do pecador fundador de sua raça, cujo miserável destino era dar o beijo da morte a todos os jovens de sua casa amaldiçoada, assim que alcançavam a idade prometida. Seu vulto gigantesco e sombrio, vestido, como o fantasma de Hamlet, de uma armadura completa, mas com a viseira erguida, foi visto à meia-noite, sob o luar intermitente, a avançar pela tenebrosa avenida. Perdia-se o vulto à sombra dos muros do castelo; mas logo um portão se abriu, ouviu-se um passo, a porta do quarto se abriu e ele avançou até a cama dos jovens em flor, embalados por um sono revigorante. Seu rosto exprimia uma dor eterna ao curvar-se e beijar a testa dos meninos, que a partir daquele momento murcharam como flores arrancadas do caule. Desde então, nunca mais vi aquelas histórias; mas suas situações estão tão vívidas em minha mente como se as tivesse lido ontem. Cada um de nós escreveria uma história de fantasmas, disse o Lorde Byron; e sua proposta foi aceita. Éramos quatro. O nobre autor começou uma história. Da qual publicou um fragmento ao fim do seu poema Mazeppa. Shelley, mais apto a dar corpo às idéias e aos sentimentos no esplendor de imagens brilhantes e na música do mais melodioso verso que adorna a nossa língua, do que a inventar as maquinações de uma história, deu início a uma narrativa baseada em experiências de sua infância. O pobre Polidori teve uma horrenda idéia sobre uma mulher com cabeça de caveira, que havia recebido essa punição por olhar pelo buraco da fechadura – para ver o que, não me lembro – algo sem dúvida é muito indecoroso e errado; mas quando ela se reduziu a uma condição pior do que o famoso Tom de Coventry, ele não sabia o que fazer com ela e foi obrigado a despachá-la para a tumba dos Capuletos, o único lugar adequado a ela. Os ilustres poetas também, entediados com a trivialidade da prosa, logo desistiram da tarefa que lhes era tão pouco congenial.

 Eu tratei de pensar numa história – Uma história rival das que nos instigaram àquela tarefa. Uma história que falasse dos misteriosos temores de nossa natureza e provocasse um horror eletrizante – Uma história para fazer o leitor ter medo de olhar ao seu redor, para enregelar o sangue e acelerar as batidas do coração. Se eu não conseguisse fazer isso, a minha história de terror não seria digna do nome. Pensei e meditei – Em vão. Sentia a nua incapacidade de invenção que é a maior miséria do autor, quando um estúpido Nada responde as ansiosas invocações. Você pensou em alguma história? Perguntavam-me a cada manhã, e a cada manhã eu era obrigada a responder com um torturante não.
 Tudo tem de ter um começo, como diria Sancho Pança; e esse começo deve estar ligado a algo que vem antes. Os hindus creem que o mundo esteja apoiando um elefante, e que esse elefante esteja em cima de uma tartaruga. Deve-se admitir humildemente que inventar não consiste em criar a partir do nada, mas a partir do caos;  os materiais devem ser dados antes: pode-se dar forma à escuridão, às substâncias informes, mas não se pode dar o ser à própria substância. Em todos os casos de descoberta e invenção, mesmo dos que pertencem à imaginação, devemos sempre lembrar a história de Colombo e o ovo. A invenção consiste na capacidade de aprender as possibilidades de um assunto e no poder de moldar e formar as ideias sugeridas por ele.

 Eram frequentes e longas as conversas entre Lorde Byron e Shelley, às quais eu era uma assídua mas quase silenciosa ouvinte. Numa delas, foram discutidas diversas doutrinas filosóficas, e entre outras coisas, a natureza do princípio da vida, e se haveria alguma possibilidade de que ele fosse descoberto e comunicado. Falaram das experiências do Dr. Darwin (não falo que o doutor realmente fez ou disse que fez, mas, o que está mais próximo do meu objeto, do que disseram que ele teria feito), que preservou um pedaço de macarrão no vidro, até que, por algum recurso extraordinário, ele começou a se mover com um movimento voluntário. Não que isso signifique dar vida. Talvez um cadáver pudesse ser reanimado; o galvanismo já dera indícios de uma coisa dessas: talvez as partes componentes de uma criatura pudessem ser fabricadas, reunidas e dotadas de calor vital.








 A conversa prolongou-se noite adentro e já passara de meia-noite quando nos retiramos para descansar. Quando pus a cabeça sobre o travesseiro, não dormi, nem se poderia dizer que pensei. A minha imaginação, liberta, tomou conta de mim e me guiou, oferecendo as sucessivas imagens que surgiram em minha mente com uma vivacidade muito além dos limites habituais do devaneio.  Vi – Com os olhos fechados, mas com uma nítida visão mental –, vi o pálido estudante de artes sacrílegas ajoelhado diante da coisa que fabricara. Vi a medonha imagem de um homem estendido que, em seguida, por efeito de um motor potente, dá sinais de vida e s e mexe com agitação, de maneira só meio vital. Aquilo era assustador; pois supremamente assustador seria o efeito de qualquer tentativa humana de simular o estupendo mecanismo do Criador do mundo. Seu bom êxito aterraria o artista; ele fugiria correndo do seu odioso artefato, horrorizado. Teria esperanças de que, entregue a si mesma, a leve centelha de vida que comunicara se extinguiria; que aquela coisa que recebera uma animação tão imperfeita voltaria à matéria morta; e ele poderia dormir na crença de que o silêncio da tumba extinguiria para sempre a efêmera existência do horrendo cadáver que ele chegara a considerar o berço da vida. Ele dorme; mas é despertado; abre os olhos; vê a coisa medonha em pé ao lado de sua cama, a abriras cortinas e a olhar para ele com os olhos amarelados, úmidos, mas inquiridores.
 Abri os meus com terror. A ideia tomou de tal forma conta da minha mente, que senti um arrepio de medo e eu quis trocar a fantasmagórica imagem de minha fantasia pelas realidades ao meu redor. Ainda as vejo; o próprio quarto, o parquet escuro, o luar que tentava penetrar pelas venezianas fechadas e a consciência que eu tinha de que o vítreo e ao altos e brancos Alpes estavam depois delas. Não consegui livrar-me com tanta facilidade do meu horrível fantasma; ele ainda me observava. Tinha de tentar pensar em alguma outra coisa. Recorri à minha história de terror – minha maçante e infeliz história de terror! Ah, seu eu pudesse inventar alguma que apavorasse o leitor como eu me apavorara aquela noite!

 Veloz como a lua e igualmente agradável foi a ideia que me ocorreu. Achei! O que me aterrorizou vai também aterrorizar os outros; e só preciso descrever o espectro que assombrava o meu travesseiro da meia-noite. No dia seguinte anunciei que tinha pensado numa história. Comecei aquele dia com as palavras ‘Foi numa monótona noite de Novembro’, fazendo apenas uma transcrição dos soturnos terrores do meu sonho desperto. Inicialmente, pensei em apenas algumas páginas – num conto; mas Shelley insistiu que eu desenvolvesse a idéia mais amplamente. Não devo por certo a meu marido a sugestão de nenhuma situação, tampouco de nenhuma constelação de sentimentos, e no entanto, se não fosse pelo incentivo dele, ela nunca teria ganhado a forma em que foi apresentado ao mundo. Devo excluir desta declaração o prefácio. Ao que me lembro, foi inteiramente escrito por ele. E agora, mais uma vez, convido a minha horrenda progênie a progredir e prosperar. Sou muito afeiçoada a ela, pois foi o fruto de dias felizes, quando a morte e a dor não passavam de palavras que não encontravam nenhum eco de verdade em meu coração. Suas diversas páginas falam de muitas caminhadas, muitos passeios e muitas conversas em que eu não estava sozinha; e meu companheiro era alguém que, neste mundo, nunca mais vou ver. Isso, porém, é só para mim; os leitores nada têm a ver com essas associações.

 Só direi mais algumas palavras sobre as alterações que fiz. Dizem respeito sobretudo ao estilo. Não mudei nenhuma parte da história nem introduzi nenhuma ideia ou situação novas. Corrigi a linguagem onde era tão insulsa que prejudicava o interesse da narrativa; e essas mudanças ocorrem principalmente no começo do primeiro volume. Em todo o romance, elas se limitam somente às partes que são meros anexos à história, deixando intactos o seu núcleo e a sua substância”

M.W.S. Londres, 15 de Outubro de 1831.

Fonte: Frankenstein ou O Prometeu Moderno
Editora: Martin Claret





sábado, 8 de agosto de 2015

Cada um na Sua Casa (2015)



Título Original: Home

Gênero:  Animação, Aventura e Comédia.

Diretor: Tim Jonhson

Roteiro: Tom J. Astle, Matt Ember e Adam Rex (livro)

Sinopse: ''Quando a Terra é invadida pelos confiantes Boov - uma raça alienígena em busca de um novo lar - todos os humanos são prontamente deslocados, enquanto os Boov se ocupam de organizar o planeta. Porém uma esperta garota chamada Tip (Rihanna) consegue evitar ser capturada e acidentalmente transforma-se em cúmplice de um Boov exilado chamado Oh (Jim Parsons)."




Quando assisti o trailer, não me empolgou muito. Mas como a DreamWorks já me deu boas surpresas em Como Treinar Seu Dragão e Os Croods, resolvi arriscar...e não me arrependi! Aqui o enredo segue com características diferentes dos outros desenhos animados do estúdio, onde geralmente trazem um humor que apenas adultos entendem, estilo Formiguinha Z (que Tim Johnson também dirige), Quadrilogia Shrek e Monstros vs Aliens, ou até cenas parodiando filmes famosos. De um tempo pra cá, nota-se que a DW se rendeu ao público infantil, e ainda assim, conseguem passar mensagens importantes para os pequenos e entreter os mais grandes.

É o caso de Cada Um na Sua Casa. Que possui traços típicos de seus longas animados mais famosos, parecendo que os atores se transformaram em cartoons: Steve Martin é a voz original do egocêntrico e medroso capitão Smek (lembra bastante o Rei Julian de Madagascar), Jim Parsons empresta sua voz para o solitário Oh, um Boov que não consegue fazer amigos em seu planeta e tudo complica quando chega na terra. Sua personalidade lembra seu personagem na série Big Bang-A Teoria. Já a cantora Rihanna faz a voz original de Tip, uma garotinha igualmente solitária.

Daí imaginamos uma conexão fácil entre o ET e a menina, mas não é tão simples como aparenta. O enredo não parece facilitar a amizade que o telespectador já prevê, e quando você menos espera, vai tudo acontecendo naturalmente, no seu devido tempo. A comédia é bastante explorada de um jeito mais ingênuo, e tudo é mostrado rápido demais. Entretanto, o decorrer reserva surpresas agradáveis até chegar ao inesperado final. É um desenho animado que apesar de ser infantil demais, consegue passar humanidade de uma maneira simples.

Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

domingo, 2 de agosto de 2015

Charles Addams



 "Charles Samuel Addams (Westfield, Nova Jérsei, 7 de Janeiro de 1912 — Nova Iorque, 29 de Setembro de 1988) foi um cartunista estadunidense. Ficou célebre ao criar quadrinhos com personagens que habitavam um mundo particular, com criaturas ao estilo Frankenstein. Suas histórias foram adaptadas para a TV com o nome de 'A Família Addams'.

Addams trabalhou no departamento de arte de uma revista criminalista e sua função era pintar cruzes pretas nas fotografias indicando o lugar onde havia sido encontrado o cadáver. Seu humor mórbido floresceu na revista norte-americana The New Yorker, em 1936 , e a sua produção era equivalente à de James Thurber e Peter Arno, com quem trabalhava." [wikipédia]










quinta-feira, 23 de julho de 2015

Grandes Olhos (2014)



Título Original: Big Eyes

Gênero: Drama

Direção: Tim Burtom

Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski

Sinopse: "História da pintora Margaret Keane, conhecida por seus retratos de crianças com olhos grandes e assustadores. Defensora das causas feministas, a pintora teve que lutar contra o próprio marido no tribunal, já que o também pintor Walter Keane afirmava ser o verdadeiro autor de suas obras."
  
Trailer 



   Quando fiquei sabendo que Tim Burton iria dirigir um filme tão diferente de seu já conhecido estilo, fiquei curioso para saber o resultado. Minha única decepção do Tim que recordo, foi na comédia abobalhada Marte Ataca. Em Grandes Olhos, Burton se deixa levar por um roteiro mais sério e menos fantasioso. Algumas cenas me fizeram lembrar o colorido de Big Fish, mas sem aquela estética marcante ou misturando elementos obscuros. Gostei da Amy Adams no papel da pintora, conseguindo passar uma Margaret reprimida no seu silêncio, tendo que lutar consigo mesma para permanecer na mentira imposta pelo seu marido. Já Christoph Waltz, que interpreta Walter Keane, me chamou mais atenção exibindo um personagem malandro, temperamental e carismático. Não consigo imaginar no momento, ninguém melhor que Waltz para esse papel, principalmente na cena divertida do tribunal. 

 Com certeza, não é de admirar que uns e outros possam estranhar ao associar o nome de Burton a um filme, aparentemente simples, sem grandes surpresas, exceto pelas boas atuações dos protagonistas. Poderia dizer que uma das características no visual que se sobressai, é na parte em que Margaret entra em um tipo de conflito interno, observando algumas pessoas ao seu redor, e até ela mesma, com olhos desproporcionais como em suas obras. O filme é interessante, mas bem que poderia ser mais ousado, considerando quem está na direção.

Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

Deixa Ela Entrar (2008)



Título Original: Låt den rätte komma in

Gênero: Terror

Diretor: Tomas Alfredson

Roteiro: John Ajvide Lindqvist

Sinopse: "Oskar (Kåre Hedebrant), um frágil garoto de 12 anos sempre atormentado pelos colegas de escola, sonha com vingança. Ele apaixona-se por Eli (Lina Leandersson), garota bonita e peculiar que, aparentemente, é uma vampira, já que não suporta o sol ou a comida. Eli dá a Oskar força para lutar, mas o menino é colocado frente a um impasse quando percebe que ela precisa beber o sangue de outros para sobreviver."

Trailer 



 Com uma fórmula muito interessante de abordar os vampiros, faz com que as pessoas reflitam nas ações dos personagens, em atitudes boas e más tanto do lado vampírico quanto dos humanos e como se não bastasse, faz uma crítica ao buylling sem forçar o enredo. É praticamente uma obra perfeita! Não há sangue em excesso/de uma forma apelativa, não tem imagens de carnificina fáceis, tudo está centrado numa história bem criada e no encontro de 2 crianças consideradas estranhas ao seu redor, e até pra elas mesmas. Apesar de ter garotos como protagonistas, o lado obscuro, sofrido e descontrolado pelo sangue, não são esquecidos.

 A ação não é tão frequente, mas quem aprecia um bom roteiro, chega a ficar preso no destino maldito da menina que não aprendeu ou esqueceu completamente o significado da infância, se tornando vizinha de um garoto depressivo de pais divorciados e que passa por perseguição na escola. Mais tarde, como às vezes acontece, fizeram uma versão americana com o título Deixe-me Entrar, realizada pelo mesmo diretor de Cloverfield, Matt Reeves. Nesse remake encontramos a famosa e Chloe Moretz que foi destaque no filme Kick-Ass. Aqui ela faz o papel, como já esperado, da menina estranha que tem 12 anos há muito tempo. Achei que a versão sueca mostrou as cenas com mais naturalidade do que a versão de Reeves, mas quem tiver curiosidade, aconselho assistir o primeiro pra depois comparar com o segundo, que modifica uma coisa ou outra. Totalmente recomendado pra quem gosta de um filme bem trabalhado.

Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo


Vírus (2009)



Título Original: Carriers

Gênero: Suspense, drama

Diretor: Àlex Pastor e David Pastor

Roteiro: Àlex Pastor e David Pastor

Sinopse: " Um vírus mortal se espalhou por todo o globo. Quatro jovens dirigem pelas estradas dos EUA com o objetivo de chegar ao Golfo do México, onde poderiam sobreviver a doença apocalíptica. Seus planos começam a dar errado quando o carro quebra em uma estrada isolada."

Trailer



 Vírus, é sem duvida, um dos meus filmes preferidos de infectados (que diferencio de zumbis: cadáveres que se levantam com fome de carne humana) , junto com o filme de Danny Boyle: Extermínio. O roteiro é bem mais realista e dramático. Já o enredo tem partes um pouco paradas, ainda assim, inteligentes! Os personagens vivem em um mundo apocalíptico, o título já é auto-explicativo. De início aparece uma gravação antiga de dois garotinhos brincando numa praia, mais adiante se entende o porquê e tudo parece se encaixar. Para evitar serem contaminados, os protagonistas devem seguir as regras criadas para o grupo, que me fez lembrar vagamente de Zumbilândia. 

 Encontra-se praticamente tudo que se vê em filmes de zumbis, só que de uma maneira voltada a realidade, sem cenas gores e com a representação dos sentimentos/comportamentos humanos (egoísmo, loucura, frieza...) muito bem colocados em cada situação difícil. Os doentes agem como qualquer outra pessoa saudável, quando se trata de imagem: em estágio avançado, ficam marcados (erupções) e com escorrimento/tosses de sangue. Dessa maneira, se torna difícil matar, sabendo que não é comparável a uma criatura irracional, de corpo fétido, geralmente em decomposição, aderindo ao canibalismo. O drama é mostrado frequentemente, é um dos pontos altos, principalmente nos sacrifícios e decisões que os irmãos são obrigados a fazer, desde interação ou ter que matar contaminados, abandonos e algumas opções desumanas...mas infelizmente, precisas. A história te faz pensar: até aonde teríamos coragem para prosseguir com a jornada? Na dificuldade, seríamos capazes de quê? Ficamos diante de uma realidade cruel, quase sem esperanças, onde a vida se torna rara.

Avaliação:
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

terça-feira, 7 de julho de 2015

Latuff

''Carlos Latuff (Rio de Janeiro, 30 de novembro de 1968) começou sua carreira em 1989, como ilustrador numa pequena agência de propaganda. Em 1990, passou a trabalhar para a imprensa sindical. Após assistir a um documentário sobre os zapatistas, transformou sua arte em ativismo político, desenhando em favor de diversas causas. Seus cartuns são conhecidos no mundo todo e geram polêmica, principalmente por suas críticas a Israel e Estados Unidos, em oposição às guerras promovidas por esses países no Iraque, Afeganistão e Palestina.'' [wikipédia]

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"Charge incomoda", diz brasileiro que retratou Primavera Árabe

"Cada charge é um soco" 

"Não trabalharia na Charlie. Não tenho por que desenhar Maomé sem roupa"