terça-feira, 18 de março de 2014

Kafka de Crumb



O Termo “Kafkiano” geralmente é ligado a noções de terror e angústia. Para entende melhor essa ligação, Robert Crumb empresta seu estilo de desenhos para ilustrar, junto com os textos de David Mairowitz, toda a vida do escritor em Kafka de Crumb. É relatado sobre as lendas que o rodeavam, como o Golem (um tipo de Frankenstein judeu) até as histórias anti-semitas, citando uma das mais famosas: O Assassinato Ritual, descrevendo que os judeus utilizavam sangue cristão para fazer o Matzo (pão sem fermento), aumentando assim o ódio à religião naquela época. Mas, como não poderia deixar de ser, um dos pontos fortes é o medo que Kafka alimentava perante o pai, Herman Kafka, um homem que definia o próprio filho como um imprestável.





 Esse pavor e ódio, viraria mais tarde uma auto-depreciação, usado em muitos de seus contos: A Metamorfose, Um Artista da Fome, O Veredicto, etc. Assim como criticava o poder supremo (aonde também vem acompanhado da figura paterna) demonstrado em:

O Processo: Josef K. é julgado e condenado por um crime que o mesmo desconhece;

A Colônia Penal: Em uma ilha colonial, um visitante vem analisar uma máquina usada para torturar e matar pessoas;

O Castelo: K. é chamado para uma aldeia pelo poderoso e nunca visto, conde Wes West. O agrimensor tenta de várias maneiras chegar ao misterioso castelo, mas é impedido pela hierarquia rígida;

Entre muitas curiosidades mostradas, descobrimos que Kafka tinha falta de autoconfiança física, certo repúdio ao sexo, vendo como “uma doença dos instintos...” e, mesmo sendo neto de um açougueiro, se tornou vegetariano. Segundo ele, o ato de comer carne o fazia sentir-se “um ser repugnante e estranho.” O livro também apresenta seus amores mal resolvidos e faz toda uma “viagem” no interior de Kafka, nos fazendo compreender, pelo menos um pouco, a complexidade do autor e de suas obras.